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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Número de divórcios aumenta no Iraque

O aumento de divórcios no Iraque é atribuído ao islamismo, à pobreza e às novelas turcas

26 set, 2016

De 2004 a 2014, houve um divórcio em cada cinco casamentos no Iraque. É uma taxa baixa pelos padrões ocidentais, mas muitos iraquianos dizem que o casamento está em crise no país.

Alguns culpam a disseminação dos princípios mais rígidos do islamismo nos últimos dez anos. O sexo fora do casamento é um tabu ainda mais forte. Por esse motivo, um número maior de pessoas está casando para ter relações sexuais. Nos preceitos da lei muçulmana os casamentos de rápida duração podem ser dissolvidos com facilidade.

A pobreza também é um fator que influencia a estabilidade no casamento. “Atualmente, muitos homens divorciam-se das mulheres por não terem condições financeiras de sustentar uma família”, disse Bassam al Darraji, um sociólogo que vive em Bagdá, a um jornal do Golfo Pérsico.

Alguns sociólogos também atribuem o aumento do número de divórcios às novelas turcas, que são muito populares no país e que mostram a relação romântica dos homens com suas mulheres. Os enredos das novelas também retratam mulheres que se divorciam dos maridos, que não as tratam bem, sem parecerem prostitutas perversas. Todos esses fatores inspiram ideias de liberdade às mulheres iraquianas. Dois terços dos divórcios partem da iniciativa das mulheres.

'Vejo cenas iguais às da Somália': a luta solitária de uma mulher contra a fome no Iêmen


BBC
Image captionAshwaq Muharram chora de tristeza com a situação das crianças no Iêmen

Depois de dois anos de guerra no Iêmen e um boicote comercial de vizinhos que durou 18 meses, milhões de pessoas estão passando fome no país ─ alguns estão até morrendo por causa da escassez de comida. Enquanto isso, uma médica na cidade de Al Hudaydah está fazendo tudo o que pode para salvar vidas.
Em seus 20 anos como médica, Ashwaq Muharram nunca presenciou uma situação tão ruim.
"Eu tenho visto a mesma coisa que costumava ver na TV quando a fome tomou conta da Somália", diz ela. "Nunca pensei que um dia fosse ver isso no Iêmen", acrescentou.
Por anos, Ashwaq trabalhou para organizações de ajuda internacional, mas a maioria delas deixou o país quando a guerra começou, em março de 2015 ─ e aquelas que ficaram, reduziram bastante suas atividades.
Agora ela tem distribuído remédios e comida com dinheiro de seu próprio bolso, usando seu carro como uma clínica móvel.
A reportagem da BBC passou duas semanas com Ashwaq visitando regiões e vilas perto de Al Hudaydah e testemunhando cenas até então impensáveis no Iêmen.

Relato

Al Hudaydah, que é controlada por rebeldes houthis que tomaram o controle da maior parte do Iêmen em 2014, era até recentemente o ponto de entrada de 70% da comida importada que chegava ao país.
Agora, não só está sob boicote, como também tem sido alvo de ataques aéreos da coalizão liderada pela Arábia Saudita ─ o próprio porto, que era um resort turístico na praia, está completamente destruído.
As bombas e o boicote passaram a representar uma ameaça dupla aos pacientes de Ashwaq .
"Se você não morre pelo ataque aéreo, você pode morrer doente por falta de alimento", diz ela. "E não há forma mais triste de morrer do que de fome", acrescenta.
Com o carro carregado de remédios, ela dirigiu com a BBC até Beit al-Faqih, 100km a sudeste de Hudaydah.
Outrora próspera, a vila se sustentava com a venda de bananas e mangas ao exterior, mas as exportações cessaram e a maioria dos trabalhadores perdeu o emprego.
As frutas acabaram se tornando caras demais para qualquer pessoa que vive no Iêmen.
É nesse local que conhecemos uma mãe e seu filho, Adbulrahman. A criança tem intolerância à lactose e a doença vem afetando seu crescimento.
"Quantos anos ele tem?", pergunto. "18 meses", responde ela. "Ele já deveria estar andando e falando agora", lamenta. E, imediatamente, cai em lágrimas.
Abdulrahman precisa de um tipo especial de leite que não está disponível no Iêmen desde a destruição do porto de Hudaydah e o início do boicote.
Ashwaq diz à mãe que irá ajudá-la ─ antes de perceber que essa era uma promessa que talvez nem ela seria capaz de cumprir.
Ela sabe que o menino pode morrer sem o leite, mas também tem consciência de que será um desafio enorme encontrar o produto.

"Eu mesma já procurei por esse tipo de leite antes e realmente não há lugar que tenha", diz.
Sua própria família enfrentou problemas similares. Depois que a guerra começou, o marido ficou doente: contraiu uma infecção no coração e precisava urgentemente de remédio.
"Eu corri até o principal hospital cardíaco de Sanaa, mas como médica sabia o que eles estavam prestes a me dizer: que estavam sem estoque de remédio e que não poderiam fazer nada para ajudar", conta.
"Sou médica, meu marido estava morrendo na minha frente e não havia nada que pudesse fazer", acrescenta Ashwaq, em lágrimas.
O marido conseguiu ir embora para a Jordânia, levando os dois filhos do casal para viver em um local mais seguro. Eles já não vão mais para a escola.

Criança subnutrida pega na mão da médica
Image captionCriança subnutrida pega na mão da médica

"Estou cansada como médica, como mãe e como esposa", suspira.
Dirigindo de volta para Al Hudaydah, a reportagem avista pela janela um homem tomando banho ─ vestido ─ no meio da rua, enquanto crianças descalças correm ao redor dele. São iemenitas que fugiram para a cidade de áreas de conflito mais intenso.
"Os ricos agora são a classe média, a classe média é agora parte dos pobres e os pobres agora estão morrendo de fome", explica Ashwaq.
"Algumas dessas pessoas tinham uma vida como eu e você, e agora olhe para elas", diz, apontando para as pessoas na calçada. "Perderam tudo", conclui.
Na rua, uma mãe com três crianças conta que a família vivia em Haradh, perto da fronteira com a Arábia Saudita, ao norte do país. Eles passaram meses em um campo de refugiados com pouco acesso à comida ou a medicamentos, mas o local foi bombardeado. O marido dela morreu no ataque.
Os iemenitas estão presos em uma armadilha. Mais de 3 milhões de pessoas de uma população de 27 milhões tiveram que abandonar suas casas. Enquanto isso, todos os portos foram fechados pela coalizão saudita, o que impede qualquer pessoa de deixar o país.
Para piorar, muitos países que um dia receberam iemenitas sem pedir visto agora estão fechando as portas para eles.
Viajando com Ashwaq, de uma vila para outra, a reportagem encontrou diariamente crianças morrendo de fome.
Ao mesmo tempo, está ficando mais difícil para que elas consigam tratamento no país. Boa parte dos hospitais do Iêmen teve de fechar, seja por causa das bombas ou pela falta de medicamentos.
A ala infantil do hospital central de Al Hudaydah está tão lotada que há duas ou três crianças em cada leito.
Ali a BBC conheceu Shuaib, 4 anos. O avô dele tomou emprestado dinheiro de vizinhos para ir ao hospital, em busca de tratamento para a febre e diarreia do menino.
Mas escutou dos médicos que não havia nada que eles pudessem fazer. "Nenhum dos antibióticos que temos aqui tratam o tipo de bactéria que ele tem", disse o administrador do hospital.
O corpo de Shuaib vai ficando mais frio a cada minuto, e seu avô aperta sua mão e chora.

Muharram verifica remédios para ajudar iemenitas
Image captionMuharram verifica remédios para ajudar iemenitas

Uma hora depois, Shuaib está morto. Seu avô chorava silenciosamente, cobrindo seu pequeno corpo com seu cachecol e o levando para a mãe do menino.
A própria Muharram está inconsolável. "Quem é responsável pela morte de Shuaib?", pergunta ela.
"A guerra! Mas ele será considerado uma vítima de negligência do hospital. Milhares como ele estão morrendo. Será que eles precisam morrer bombardeados por um avião para serem reconhecidos como vítimas dessa guerra?", indaga.

Repórter da BBC conversa com avô de menino que morreu por falta de medicamento
Image captionRepórter da BBC conversa com avô de menino que morreu por falta de medicamento

Chega a notícia de que outro hospital, administrado pela ONG Médicos Sem Fronteiras, na cidade próxima de Abs, foi atingido por bombas de aviões da coalizão.
"Eles estão bombardeando hospitais! Por quê?", questiona Ashwaq. Uma das razões é que a Arábia Saudita acusa os rebeldes houthis de usar hospitais para guardar armas.
No dia seguinte, a BBC visita o hospital dos Médicos Sem fronteiras. Nas ruínas da ala infantil, uma cena desoladora: velas, chapéus de festa e restos de um bolo de aniversário se espalham pelo chão.
"As crianças estavam comemorando um aniversário antes de a bomba atingir o hospital", explica a administradora do local, Yahia al-Absy.
No total, 19 pessoas morreram no ataque ─ e o governo de Abs já não tem mais um hospital.
Em nota, o governo saudita negou estar atacando alvos civis ou missões humanitárias, alegando ser o maior fornecedor de ajuda humanitária para o Iêmen.

Ashwaq Muharram segura a mão de Abdulrahman, que tem 18 meses, mas o mesmo peso de um bebê de 6
Image captionAshwaq Muharram segura a mão de Abdulrahman, que tem 18 meses, mas o mesmo peso de um bebê de 6

No dia seguinte, Ashwaq finalmente recebe boas notícias. Um amigo havia conseguido uma forma, a um alto custo, de obter o leite que salvaria a vida de Abdulrahman.
Assistindo a todo esse desespero por duas semanas, é incrível poder ver pelo menos um final feliz. Abdulrahman pega a garrafa de leite e bebe até a última gota ─ enquanto sua mãe, chorando, só sabe agradecer.
"Você trouxe felicidade para a minha casa", diz ela à médica, abraçando-a.
Apesar de Ashwaq ter conseguido salvar a vida de uma criança, outras milhões estão passando fome no Iêmen. Especialistas acreditam que, se algo não for feito agora, o país pode perder uma geração inteira de pessoas.

Conflito no Iêmen

O Iêmen está em estado de sítio. Dois anos atrás, rebeldes houthis e seus aliados ─ uma facção armada leal ao antigo presidente Ali Abdullah Saleh ─ tomaram o controle da maior parte do país, incluindo a capital Sanaa.
O então governo foi forçado a fugir. A Arábia Saudita diz que foi chamada a intervir a pedido da própria liderança local.
Por 18 meses, uma coalizão liderada pelo país, apoiada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, luta contra os rebeldes. Uma guerra que não tem previsão para terminar.

Mulheres mal vistas dentro e fora das telas

O moralismo e o machismo do Brasil em três longas no festival de Brasília que termina nesta terça


CAMILA MORAES
Brasilia 
Como a mulher é vista em pleno século XXI? Se depender de três filmes que integram a edição deste ano do Festival de Brasília, a resposta é curta e imediata: mal. Seja nos centros do poder político, nas rodas de conversa ou nas ruas, ela aparece reiteradamente como submissa, fútil e objeto de violências pelas quais termina, muitas vezes, sendo responsabilizada. É um intrincado panorama que emerge de fora das telas do cinema – e é para isso que querem chamar a atenção os longas Sexo, pregações e política, Câmara de espelhos e Precisamos falar do assédio, todos feitos por mulheres e selecionados em mostras paralelas do festival que chega ao fim na próxima terça-feira, 27 de setembro.
A mulher criminalizada por recorrer ao aborto clandestino, representada no caso real de Jandira Magdalena dos Santos Cruz, que circulou na imprensa em 2014, é o tema abordado em Sexo, pregações e política, de Aude Chevalier-Beaumel e Michael Gimenez. O documentário, que integra a mostra A política no mundo e o mundo da política, investiga entre representantes do Congresso Brasileiro suas visões sobre a responsabilidade na morte da jovem de 27 anos que não resistiu às complicações de um aborto feito em más condições. Jandira terminou esquartejada e carbonizada pelos responsáveis por realizar o procedimento ilegal, desfecho que leva a dupla de diretores a questionar: “Quem matou Jandira?”.
Para deputados da bancada evangélica da Câmara de Deputados, como Marcos Feliciano e Jair Bolsonaro, a resposta é “ela mesma” ou “o Estado que não assume seu papel na conscientização de mulheres que acabam com vidas inocentes”. Falas agressivas como as deles quase não encontram contraponto no filme, com exceção da figura do deputado Jean Wyllys, que aparece para representar a leitura de que a mulher é dona de seu próprio corpo. Questionada pela falta de opiniões menos radicais, Aude, a diretora, explica que “havia outros que pensam como ele, mas não são muitos”. “Optamos por entrevistar Jean Wyllys, porque entre suas pautas está a causa LGBT e outras que encontram menor ressonância no Congresso, diante de uma maioria conservadora”.
Em Câmara de espelhos, o lugar da mulher na sociedade passa por diversas discussões – entre homens comuns, afastados do poder. Para dar forma a elas, a diretora pernambucana Dea Ferraz pensou numa câmara construída com paredes de madeira e ambientada como uma sala de estar. Publicou um anúncio no jornal, convidando homens de 18 a 80 anos que quisessem “ver suas opiniões na tela do cinema” e assim preencheu o espaço – que foi filmado enquanto a conversa acontecia livremente, como em uma mesa de bar. Surge, na dinâmica, um retrato espontâneo do machismo de cada dia: “mulher boa é mulher surda e muda”, “mulher cuida da casa e o homem sai para trabalhar”, “mulher bem-sucedida no trabalho deve deixar a autoridade fora de casa”.
Mais uma vez, há pouco ou nenhum contraste na tela. Um único participante da roda, um ator, foi escolhido pela equipe do filme para interferir na conversa com opiniões mais equilibradas. Segundo a diretora, que estudou jornalismo e se especializou em documentários na Escola de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba, seu experimento “joga o universo masculino dentro de uma caixa e nos faz olhar para os discursos banais do dia a dia, desfilando a violência que caminha submersa”. O filme, rodado em Recife, é parte das Sessões Especiais do Festival de Brasília.
Uma violência de face mais crua aparece no último documentário da trinca, Precisamos falar do assédio, um projeto feito em parceria com a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres de São Paulo. Aqui, a diretora paulistana Paula Sacchetta fez seu próprio experimento ao adaptar um estúdio de gravação a uma van que circulou por diferentes bairros das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. A missão, inspirada pela campanha #MeuPrimeiroAssédio, que tomou as redes sociais no final de 2015, aconteceu na Semana da Mulher, em março de 2016, para convidar mulheres a dar depoimentos sobre os assédios que sofreram ao longo da vida. Mulheres de várias idades, de adolescentes a uma senhora de 84 anos, contam histórias de violência emocional, verbal e física que, não raro, chegaram ao cume do estupro e de outras fortes agressões, para elas, impossíveis de apagar. Algumas optaram por usar máscaras, mas todas falaram imbuídas do “desejo de que o que aconteceu comigo não aconteça com nenhuma mulher mais”.
“Acho que ficou claro para todas que estamos nesse momento de nos perceber como mulheres. Passamos por muitas coisas só pelo fato de sermos mulheres, e isso nos fortalece para ter coragem de falar. Depois de fazer esse filme e de exibi-lo para as meninas que participaram dele, entendi o sentido mais profundo da palavra acolhimento, de ser solidárias e estar aí umas para as outras", conta a diretora, cujo trabalho já tem funções previstas em São Paulo, no Belas Artes e no circuito da SP Cine, além de exibições públicas pensadas para acontecer em várias cidades do país.

No total, foram 140 depoimentos coletados, sem qualquer tipo de interlocução. Os mais fortes entraram no filme, que, apesar de não variar na forma, resultou o registro mais sensível dos três ao relevar sem necessidade de mediação o que incomoda muito ver: as mulheres estão em clara desvantagem.

A história das mulheres negras fundamentais para a viagem à Lua

"Hidden Figures" conta a história de Katherine G. Johnson e do time de matemáticas responsáveis por cálculos complexos durante a corrida espacial


POR Jessica Soares ATUALIZADO EM 15/09/2016
Há quem diga que o homem nunca pisou na Lua. Mas, mesmo que você seja um dos adeptos da teoria da conspiração espacial, fato é que, para Neil Armstrong conseguir dar um grande salto para a humanidade (seja no satélite natural da Terra ou no set de gravações da farsa comandado por Stanley Kubrick), temos muito a que agradecer aos "computadores". E não falamos aqui de supermáquinas - mas, sim, de super mulheres. Esse era o nome oficial do cargo de um grupo de matemáticas negras responsáveis pelos cálculos complexos e determinantes para a viagem comandada pela NASA. Hidden Figures, filme que conta a história pouco conhecida desse time, tem estreia prevista para fevereiro de 2017 no Brasil.

A escritora Margot Lee Shetterly começou a investigar a fundo essa história em 2010. Como seu pai trabalhou como pesquisador no Centro de Pesquisas da NASA, Margot, nascida no ano da viagem à Lua, conhecia aquelas mulheres. Elas eram colegas de seu pai, frequentavam a mesma Igreja, seus filhos estudavam na mesma escola que ela quando garota. "Crescendo em Hampton [cidade do estado Virgínia, lar do mais antigo centro da NASA] a face da ciência era marrom como a minha," Shetterly afirma.

A escritora contou ao Washington Post que ao conversar com seu marido - e notar que ele, como muitos, desconhecia o nome das matemáticas e engenheiras cuja contribuição para aeronáutica, pesquisa espacial e computação foi tão importante - percebeu que era preciso tornar esse capítulo da história oficial. Sua iniciativa teve o apoio de Mary Gainer. A historiadora da NASA havia começado a sua própria investigação sobre as "computadoras" em 2011 ao esbarrar com uma foto dos arquivos da agência datando de 1943. Na imagem (acima) estão cerca de mil pessoas em pé em um enorme edifício. Entre os muitos engravatados, chamou a sua atenção a presença de algumas mulheres. Mary encarregou sua estagiária, Sarah McLennan, com a responsabilidade de dar o pontapé inicial nas escutas de antigos trabalhadores e trabalhadoras da NASA para descobrir quem eram aquelas figuras. A história das mulheres negras que participaram de alguns dos maiores sucessos da NASA foi contada no livro Hidden Figures, assinado por Margot Lee Shetterly, que foi lançado em agosto de 2016 e inspira o filme homônimo estrelado por Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe.

A primeira mulher responsável por fazer esses testes complexos foi contratada em 1935, mas, durante a Segunda Guerra Mundial, esse número aumentou significativamente. Enquanto em outras regiões dos Estados Unidos o fim do conflito fez com que muitas mulheres deixassem o mercado de trabalho, na base de Langley as matemáticas e engenheiras tornaram-se fundamentais na corrida espacial.

Um dos nomes mais importantes no campo foi Katherine G. Johnson. Com talento excepcional para os números desde a infância, ela concluiu o ensino médio aos 14 anos e o ensino superior na West Virginia State College aos 18 anos. Formada em matemática, como muitas de suas colegas "computadoras", ela era responsável na NASA por determinar o tempo de lançamento da nave rumo ao espaço. Seus cálculos precisos ajudaram a levar a humanidade para um passeio na Lua e retornar em segurança para a Terra.

Mais que números, fazia parte da complexa equação um contexto de profunda discriminação. Além de desbravar um campo marcado pelo machismo, Katherine precisou superar também o racismo e a segregação profundamente enraizados do país. Foi apenas em 1954 que a Suprema Corte estadunidense decidiu ser inconstitucional a separação de estudantes brancos e negros em escolas públicas, um dos marcos do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. As chamadas "leis de Jim Crow", que institucionalizaram a segregação racial no território americano, vigoraram até a metade da década de 1960. Martin Luther King compartilhou seu sonho no icônico discurso proferido nos degraus do Lincoln Memorial, durante a Marcha de Washington por Empregos e Liberdade, em 28 de agosto de 1963. A Lei de Direitos Civis e a Lei dos Direitos ao Voto só vieram em 1964 e 1965, respectivamente.

Na NASA não era diferente. As integrantes do primeiro grupo de "computadoras" negras eram obrigadas a trabalhar separadas das mulheres brancas e a usar banheiros diferentes. No restaurante da agência, uma mesa indicava o espaço reservado para "computadoras de cor".

Agora, graças aos esforços do time de pesquisadoras, a história de Katherine G. Johnson reemergiu e reverberou rapidamente. A produtora do filme, Donna Gigliotti, acredita que a onda de esforços para diversificar a história da computação e encorajar mais mulheres a seguirem carreiras nas ciências exatas ajudou a tornar o filme possível tão rapidamente. No aniversário de 98 anos da matemática, em agosto, #HappyBirthdayKatherineJohnson foi um dos trending topics no Twitter. No ano passado, a Katherine recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, maior condecoração civil dos Estados Unidos.

Super Interessante

A indústria que, silenciosamente, lucra bilhões com a exploração de mulheres e crianças e que deveríamos lutar contra.

por menstruakill

Digamos que há uma indústria por aí.

Digamos que o lucro dessa indústria, só nos EUA, é de mais ou menos $13.3bi. Colocando numa perspectiva, é mais que a NFL, NBA e MLB juntas. É um valor mais alto que a NBC, CBS e ABC. Juntas.
Digamos que há uma indústria com uma movimentação de dinheiro maior que a Google, a Microsoft, a Amazon, o eBay, o Yahoo, a Apple e o Netflix juntos (e isso deveria te deixar muito, muito assustado).
O poder mundial de mercado dessa indústria é de $97 bi, assim, apenas caso 13.3 bilhões não fosse assustador o bastante.
Colocando em perspectiva? Os Emirados Árabes (onde óleo é literalmente mais barato que água) tem um PIB de $71.2 bi.
Se essa indústria fosse um país, ela seria capaz de COMPRAR o Egito. Ou a Venezuela. Se essa indústria fosse um país, seria o 36° no ranking mundial.
Agora digamos que essa indústria seja praticamente inteira sem regulamentação. Sem sindicatos, sem comitês, sem nenhum tipo de cuidado. O governo não fiscaliza e não se importa.
Digamos que eles tem seus dedos em todas as tortas possíveis, e que esperam que esse lucro apenas cresça com o passar dos anos.
Agora digamos que essa indústria sem regulamentação e de livre mercado tem a estatística seguinte:
* A expectativa de vida entre os trabalhadores dessa indústria é de 36.2 anos (isso é menos da metade da expectativa de vida nos EUA, que é de 78.6 anos).
Agora digamos que dentro dessa indústria, 66% de seus trabalhadores tem doenças contagiosas que podem diminuir sua qualidade de vida substancialmente, e que 1 em 10 tem uma doença que, hoje em dia, é uma sentença de morte (HIV).
Agora digamos que não existem exames obrigatórios ou balanços feitos pelo governo que assegurem que essas doenças não se espalhem por todos os trabalhadores dessa indústria; apenas um ou outro – que são pagos pelo próprio trabalhador. Nós também sabemos que 70% dessas infecções ocorrem em mulheres (principalmente mulheres com idades entre 18-26 anos), uma taxa 10x maior que na população geral.
Agora digamos que essa é uma indústria que basicamente reescreve seu cérebro. Ela muda como você vê os outros e a si mesmo.
Agora vamos chamar essa indústria do que ela realmente é:
PORNOGRAFIA.
Olha, eu não sou nenhuma beata. Eu não me baseio em fontes religiosas – eu critico a pornografia com bases humanistas e realistas. Eu não posso, eticamente, dar suporte à uma indústria que literalmente intercepta como seu cérebro processa excitação sexual para seu próprio benefício.
Por exemplo: seis horas de pornografia não-violenta começa a afetar o desejo do indivíduo por intimidade física (estranhamente, esse desejo diminui). Aparentemente, parece que ao invés de encorajar atividade sexual saudável, pornografia diminui sua capacidade de se envolver nela.
E como se isso não fosse ruim o bastante, de todos os 50 vídeos pornôs mais vendidos (totalizando 304 cenas), 90% incluem violência física contra a estrela; uma análise adicional mostra que desses 90%, 94% desses atos são cometidos contra a mulher.
Adicionalmente, outra pesquisa mostra que 9 em 10 homens consomem pornografia. O maior grupo de homens consumidores de pornografia online (o segmento desse mercado que mais cresce) é da faixa etária de 12-17 anos, o que significa que garotos que sequer podem dirigir carros estão reescrevendo a topografia de seus cérebros e se expondo à mídia na qual é totalmente aceitável cuspir, bater e ejacular em uma mulher.
Na verdade, um estudo de 2005 feito por Zillman e Bryant examinando as conexões entre consumo de pornografia e agressões resultou em uma prova tão clara dessas conexões que, por regulamentos éticos, esse estudo não pode ser reproduzido devido à inevitabilidade de prejudicar os indivíduos estudados.
Vamos repetir que:
Pornografia é tão nociva, de forma conclusiva e prejudicial, que o estudo provando essas conexões nunca foi aprovado. Isso o coloca na mesma posição que o Experimento Prisão Stanford, que quase resultou na morte dos indivíduos envolvidos.
Outro estudo, com o título de “Os Efeitos da Pornografia nos Relacionamentos Interpessoais” pela Ana Bridges na Universidade do Arkansas, notou que homens que viram QUALQUER amostra de pornô são mais inclinados a:
* Demonstrar falta de empatia por vítimas de estupro
* Acreditar que mulheres que se vestem “provocativamente” merecem ser estupradas
* Mostrar raiva contra uma mulher que flerta mas não quer fazer sexo
* Experimentar queda substancial no desejo por suas parceiras
* Demonstram interesse crescente em coagir parceiros em algum tipo de sexo não desejado
(O ultimo, só caso você não sabe, é conhecido pelo termo Estupro. Sabe, só pra ficarmos todos a par de tudo.)
Se isso não te deixar enjoado, acredito que nada irá.
O que torna isso tudo ainda pior é que, de todos os segmentos do mercado pornográfico, a pornografia infantil é a que mais cresce, com 60% dos domínios hospedados nos EUA. Apenas em 2008, a Fundação Internet Watch encontrou 1540 domínios individuais de pornografia infantil – e acredita-se que há muitos outros domínios escondidos na Us Enet e nos sites da Deep Web em que não se pode acessar usando um buscador comum.
Incidentalmente, a pornografia infantil teve um aumento de 82% na indústria de 1994 a 2006, implicando que não só o acesso ficou mais comum mas também que a porcentagem de pessoas acessando isso ascendeu como um foguete , fazendo com que até os oficiais e advogados se pergunta que diabos estão colocando na água dessa gente hoje em dia.
Incidentalmente, só caso alguém venha com “m-m-m-mas a pornografia é uma válvula de escape, assim os pedófilos não estuprarão crianças na vida real”, cala a boca, você tá errado!
De acordo com Michael Bourke, psicólogo chefe da Polícia Federal dos EUA, 85% dos homens presos por porte de pornografia infantil já tinham abusado sexualmente de uma criança. 80% desses homens eram abusadores ativos – isso significa que eles abusavam de crianças na época em que foram presos.
Vou quotar toda a passagem, porque isso dirá mais do que eu jamais serei capaz de dizer.
“De acordo com o Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas:
Num estudo sobre portadores de pornografia infantil, 40% já haviam vitimizado uma criança e estavam em posse de pornografia infantil. Desses presos em 2000 e 2011, 83% tinham imagens envolvendo crianças entre 6 e 12 anos; 39% tinham imagens de crianças de 3 e 5; e 19 tinham imagens de bebês com menos de 3 anos (Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas, Presos por Porte de Pornografia e Crimes Relacionados à Internet: Dados encontrados no Estudo Nacional Sobre Vitimização Juvenil Online).
É impossível separar o Entretenimento Adulto da exploração sexual infantil dado o fato que ambos operam embaixo da mesma estrutura de trabalho e, eventualmente, t em o mesmo público e mercado alvo. Se você não acredita em mim, procure um processo chamado Desensitization (que seria algo como insensibilizar, tornar insensível).
Ele diz que quanto mais você assiste algo e mais familiar você fica com isso, mais entediado você fica. É a ideia por trás das “drogas pra escapar”, exceto que, nesse caso, você começa com o seu pornô normal e adulto, eventualmente progride pra “ADOLESCENTES QUE ACABARAM DE FAZER 18 NO SPRING BREAK UHU!!!” e daí é só uma coçadinha e um pulo pra cair na terra da depredação infantil.
Voltemos à indústria e vamos fingir que membros da pornografia não estão rotineiramente estuprando crianças como profissão. Vejamos como a pornografia influencia os atores adultos envolvidos:
Vejamos como a Belladonna, um dos maiores nomes na indústria pornô (tida pela CNBC como uma das 12 mais populares estrelas pornô), tem a dizer sobre suas experiências:
“Eu gosto de esconder – esconder tudo, sabe? Eu não estou feliz… eu não gosto de mim de forma alguma, meu corpo inteiro sente quando estou fazendo as cenas e é tão… tão nojento.”
É bom destacar que, durante uma entrevista em 2003 com Diane Sawyer pro Primetime, Belladonna caiu no choro. Quando Sawyer a pergunto “Você sempre conta essas coisas horríveis que aconteceram com você. Mesmo assim, você sempre sorri. Por quê?” o sorriso de Belladonna sumiu e seus olhos encheram d’água. “É pra que eu não comece a chorar.”
Oh, merda. Isso não foi muito positivo. E essa é uma mulher que a indústria chama de “Contrato”; querendo dizer que ela tem um. Com o nome sendo quase como uma marca, ela tem um pouquinho de controle sobre com quem ela grava e quais cenas ela grava.
Deve ser notado o fato que Belladonna se recusou a fazer qualquer outra entrevista com a ABC, seguida de algumas objeções fortes em elogios feitos à ela por líderes da indústria pornô.
Outro nome grande, Jenna Jameson, já declarou que
“A maioria das garotas começa com filmes gonzo – nos quais elas são levadas em um apartamento-estúdio de merda em Mission Hills e são penetradas em todos os buracos possíveis por um bosta que acredita que o nome dela é Vadia. E essas garotas, das quais algumas devem ter o potencial pra se tornar estrelas grandes na indústria, vão pra casa jurando nunca fazer isso de novo por ter sido uma experiência tão horrível.”
O último quote – e possivelmente o pior de todos – vem de Linda Lovelace, a primeira estrela pornô moderna. Conhecida pelo filme Garganta Profunda, Linda Lovelace é creditada por ter ajudado a criar a indústria pornô como conhecemos hoje. Que seja, a experiência a deixou marcada, como ela conta em suas próprias palavras:
“Em respostas às sugestões deles, eu o informei que não me envolveria em prostituição de forma alguma e o avisei que queria ir embora. [Traynor] me batia e o abuso psicológico começou também. Eu literalmente me tornei uma prisioneira. Eu não era autorizada a sair de sua vista, nem mesmo pra ir ao banheiro, onde ele me assistia pelo buraco na porta. Ele dormia em cima de mim à noite, ele ouvia meus telefonemas com uma calibre 45 apontada pra mim. Eu apanhava e sofria abuso psicológico todo e cada dia. Ele cortou minhas ligações com outras pessoas e me forçou a casar com ele, aconselhado pelo seu advogado.”
Outro quote, igualmente perturbador, documenta sua primeira experiência na pornografia:
“Minha iniciação na prostituição foi um estupro grupal de cinco homens, arranjado pelo Sr. Traynor. Foi um ponto determinante na minha vida. Ele ameaçou atirar em mim se eu não continuasse. Eu nunca tinha experimentado sexo anal antes e isso me partiu ao meio. Eles me trataram como uma boneca inflável, me pegando e me colocando aqui e ali. Abrindo minhas pernas assim ou assado, enfiando suas coisas em mim e dentro de mim, brincando de dança das cadeiras com as partes do meu corpo. Eu nunca me senti tão assustada e desgraçada e humilhada na minha vida. Eu me senti como lixo. Me envolvi em atos sexuais por pornografia contra a minha vontade pra evitar ser morta. As vidas de meus familiares foram ameaçadas.”
Agora, o que a maioria das pessoas não sabem e que é, possivelmente, a pior coisa que Lovelace presenciou. Por um vislumbre de horror, há um vídeo tão horrível que ela se recusou a reconhecer que participou nele de qualquer forma, até uma cópia vazou e a prova conclusiva foi dada.
É chamado “Cachorro Comedor” e é, provavelmente, auto-explicativo. Linda Lovelace é forçada a ser penetrada por um cachorro, em frente à câmera, contra sua vontade. Ela foi forçada a gravar depois de seu marido/agente/abusador/estuprador apontar uma arma em sua cabeça e lhe dar duas opções: gravar o filme ou comer uma bala. Eu não vou entrar em mais detalhes, isso é suficiente pra dizer o tipo de abuso que tem sido pra grande parcela da pornografia desde sua inserção moderna, nos anos 70.
Agora esse texto já tem mais de 2000 palavras, então eu vou encerrar com o seguinte pensamento:
Se fosse qualquer outra indústria, qualquer outra profissão, com esses depoimentos e essas estatísticas, ALGUÉM defenderia? Seria considerado ao menos defensável? As pessoas boicotaram o Wal-Mart por muito menos!
Pornografia no entanto, parece ser intocável; pessoas ‘sex-positive’ argumentam que é uma maneira saudável de manifestar a sexualidade adulta gravada pro prazer sexual de outros adultos – mas o ponto é que as estatísticas provam o contrário e conclusivamente mostram que o pornô não só influencia negativamente a sexualidade dos indivíduos como diretamente influencia a maneira como eles veem (e tratam) os outros (pra pior).
Texto Original escrito por Lesbolution.