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domingo, 4 de dezembro de 2016

'Mulher burra': Dafiti vende camiseta de conteúdo sexista e causa revolta na internet


A loja online Dafiti está enfrentando uma avalanche de críticas de consumidores na internet após colocar à venda uma camiseta que cita “mulher burra” como exemplo de pleonasmo.
Depois da repercussão negativa, o site retirou o produto de conteúdo sexista do ano. No entanto, diversos consumidores salvaram cópias da peça.
Você pode ver abaixo e nesse link aqui.
Na página da loja no Facebook, centenas e homens e mulheres cobram – em diferentes publicações - uma retratação oficial da loja.
Veja algumas reações a seguir:
Em nota de esclarecimento, a loja online pediu desculpas aos clientes pelo ocorrido:
"A Dafiti lamenta o ocorrido e esclarece que não compartilha a mensagem expressa no produto em questão e repudia qualquer tipo de manifestação de preconceito e discriminação. Somos uma empresa comprometida em oferecer a melhor experiência de compra online, por meio de marcas e serviços que promovam o acesso a moda a todos os consumidores. Acima de tudo, apoiamos a igualdade de gênero e a diversidade. Acrescentamos ainda que o produto foi disponibilizado para venda por um de nossos parceiros de marketplace. Tão logo tomamos conhecimento, descredenciamos a marca e seus produtos. Pedimos desculpas a todas nossas clientes."

HuffPost Brasil 

Empresa australiana cria polêmica com espaço “só para homens”

Empreendedores dizem que homens precisam de espaço onde "podem ser homens" sem medo...


São Paulo – Dois empreendedores australianos anunciaram a abertura de um negócio no mínimo polêmico: eles querem criar um espaço de coworking “só para homens”.
Batizada de Nomadic Thinkers, a empresa pretende abrir o espaço em janeiro do ano que vem, e conta com apoio de seis investidores, segundo informações do site Mashable.
Muito usado por empreendedores que estão iniciando um negócio, o coworking é uma espécie de escritório coletivo. Porém, a restrição ao público feminino gerou críticas e acusações de misoginia e preconceito.
A proposta da empresa veio a público após uma reportagem do site Junkee. Em entrevista, um dos sócios do negócio, o empreendedor Samuel Monaghan, explicou a motivação inicial para criar um coworking para homens.
“Nós dois tivemos amigos que acabaram em situações de violência com suas esposas”, afirmou. Para ele, a violência doméstica é “causada pela depressão em muitos casos”.
“A depressão e o suicídio são resultado de uma falta de suporte da sociedade. Ter um espaço onde eles [os homens] podem ser homens é uma medida preventiva”, disse Monaghan ao Junkee.
Um texto publicado no site da Nomadic Thinkers afirma que “tem se tornado comum para os homens serem perseguidos por expressarem sua masculinidade”.
“Com a mídia divulgando imagens de homens passivos, o pai desajeitado, o namorado pateta, o chefe incompetente, os homens têm sido seduzidos para uma expressão apática e apaziguada de si mesmos”, continua o texto, que foi retirado do ar, mas reproduzido pelo Huffington Post.
Obviamente, a proposta dos empreendedores gerou reações. Os comediantes australianos do Bondi Hipsters produziram um vídeo satirizando a empresa (veja ao final do texto, em inglês). Além disso, não faltaram comentários nas redes sociais.
Com toda essa repercussão, o site da Nomadic Thinkers foi fechado para o público e sua página do Facebook saiu do ar. Resta saber se os sócios continuam tão avessos ao convívio com as mulheres para manter sua ideia de pé.

Quais são as consequências psiquiátricas dos maus-tratos na infância

Por: José Alexandre Crippa  02/12/2016

Após presenciar maus-tratos em crianças em sua passagem pelo Congo, Austrália e Nova Zelândia, e na sua participação voluntária na I Guerra Mundial, o escultor britânico Herbert Ward (1863-1919) profetizou: “O abuso de criança esculpe uma sombra que dura uma vida”. Quase um século depois de sua morte, de fato, a ciência demonstrou, especialmente nas duas últimas décadas, que o abuso e a negligência infantil estão associadas a maior risco de problemas psiquiátricos ao longo da vida.

Atualmente, sabemos que pessoas que foram expostas a traumas nas fases precoces da vida apresentam maior risco de desenvolverem depressão, transtorno bipolar, abuso de álcool e de drogas, transtorno de stress pós-traumático, transtornos de personalidade, transtornos alimentares, tentativas de suicídio, entre muitas outras desordens psiquiátricas. O curso desses quadros psiquiátricos tende a ser mais grave e com pior resposta aos tratamentos disponíveis. Do mesmo modo, crianças com história de abuso são mais vulneráveis ao desenvolvimento de diabetes, asma, doenças cardiovasculares (incluindo hipertensão arterial), cefaleias, obesidade e outras condições médicas gerais.

É assustador, mas dados de um amplo estudo realizado nos Estados Unidos em 2012 (U.S. Department of Health and Human Services) demonstraram que a maior parte (até 80%) dos maus-tratos foi realizada por um dos pais. Das crianças, 78% sofreram negligência (falha em fornecer necessidades básicas que possam levar a criança a sua segurança ou bem-estar); 18%, abuso físico; e 9%, abuso sexual.

Além das óbvias consequências psicológicas, o trauma precoce parece acarretar diversas alterações biológicas, como anormalidades neuroendócrinas e dos neurotransmissores, além de aumentar a predisposição genética para distúrbios mentais e induzir disfunções inflamatórias.

Entretanto, um dos mais impressionantes achados científicos relacionados aos maus-tratos na infância é o seu impacto na estrutura e funcionamento cerebral. Estudos com ressonância magnética demonstraram que crianças que cresceram na completa negligência que ocorria nos orfanatos da Romênia comunista, durante o regime do ditador Ceauşescu (1918-1989), apresentaram menores volumes cerebrais do que crianças não institucionalizadas. Além disso, vários outros estudos com pessoas que passaram por traumas na infância demonstraram alterações persistentes em áreas cerebrais relacionadas ao humor e às emoções.

Aparentemente os diferentes tipos de trauma (sexuais, por exemplo), além do número e cronicidade dos eventos revelaram ter um impacto cada vez maior sobre a gravidade do dano no cérebro dessas crianças quando cresceram. Assim, retornando a Herbert Ward, podemos afirmar que uma política voltada para a prevenção e tratamento dos maus-tratos na infância é uma questão urgente de saúde pública, que pode acabar com a “escuridão” vivenciada por essas crianças – trazendo de volta a luz do presente e do futuro.

‘Não queríamos final feliz’, dizem criadores de ‘Gilmore Girls’

Amy Sherman-Palladino e Daniel Palladino comentaram as últimas palavras do revival da Netflix

Por Da redação

2 dez 2016

Os criadores de Gilmore GirlsAmy Sherman-Palladino e Daniel Palladino, não consideram que Rory (Alexis Bledel) teve um final feliz no revival da série, Gilmore Girls: Um Ano para Recordar, disponibilizado na Netflix na sexta-feira passada. O último episódio termina com a personagem contando que está grávida para a sua mãe, Lorelai (Lauren Graham). Em entrevista ao site da revista Entertainment Weekly, os autores falaram sobre o desfecho de Rory.
“Nós não queríamos um final feliz”, disse Amy. “Mas também não pensamos nisso como um final trágico”, completou Palladino. “Ela tem muitas opções e, na verdade, Amy e eu nunca pensamos sobre o que aconteceria com a Rory depois daquele momento (da revelação).” Amy Sherman-Palladino contou que quis mostrar que a vida não é sempre como as pessoas querem. “Rory era a garota que planejava tudo e a vida mostrou que ela não pode planejar tudo porque não importa o que você planeja.”
“Sempre quisemos fazer de Gilmore Girls uma série sobre laços, sobre amor e sobre família, nunca deveria ser um seriado sobre filhotes felizes e unicórnios”, disse a autora. “Nosso objetivo era entreter, mas mostrar que a decepção faz parte do que te forma; desvios do seu caminho fazem parte de você e não dá para planejar esse tipo de coisa. Isso é o que te faz ser uma pessoa interessante.”
“Não foi uma tragédia, obviamente, mas não olhamos para isso pensando: ‘Eba, final feliz!’. Olhamos para isso como se Rory estivesse pensando: ‘Caramba, agora eu tenho outra decisão a tomar. Justamente quando eu achava que tinha acertado tudo, alguma coisa nova acontece’. Esse é o tipo de história de que gostamos”, continuou Amy.
De acordo com os criadores de Gilmore Girls, Rory deveria ter engravidado ao final da série original, que terminou em 2007. A última temporada, porém, não foi escrita por Amy e Daniel porque eles não chegaram a um acordo com a produtora do seriado – por isso, eles não conseguiram fazer o final do jeito que tinham planejado, até a Netflix resolver encomendar um revival.
“Originalmente, ela deveria ter 22 anos quando engravidasse, tendo acabado de sair da faculdade”, disse Amy. “Nós fizemos esses novos episódios pensando que se as últimas palavras funcionassem, tudo bem. Mas, se não, a gente não colocaria esse final. E, de maneira interessante, o fato de a Rory ter a mesma idade que Lorelai tinha quando a série começou acabou tornando a história melhor. Eu queria o elemento do ciclo que se repete – a filha segue os mesmos passos da mãe – e acho que isso funcionaria em qualquer uma das idades.”

sábado, 3 de dezembro de 2016

O processo seletivo

Mesmo sem saber, somos testados e julgados por possíveis parceiros o tempo todo

IVAN MARTINS
30/11/2016

Queira ou não, gente solteira vive em processo seletivo. Não estou falando de emprego e trabalho, mas de afeto. Somos testados e julgados por possíveis parceiros todo o tempo. Estão em jogo nossa aparência, nossa personalidade e – claro – nosso desempenho dentro e fora de casa.

Ao contrário das disputas por emprego, na vida amorosa a gente nem sempre sabe que está numa competição. Você sai com alguém duas ou três vezes, acha que não tem mais ninguém na área, mas tem. Entre vocês dois, tudo vai bem, mas, para seu azar, com outra pessoa vai ainda melhor.

É por isso que a figura desaparece de quinta-feira a sábado, e só volta a chamar no domingo. Estava testando mais gente.

Como o processo seletivo é secreto – ou pelo menos privado –, você só descobre que se deu mal quando mensagens e convites param de chegar ao celular. Ou quando topa com seu quase amor na rua, de mãos dadas com alguém. É dramático, mas acontece. Fazer o quê?

Se acontecer com você, não se deixe abater. Assim como na busca por emprego – e muito mais ainda neste caso –, a culpa da recusa, definitivamente, não é sua. Você não sabe quais são as qualificações necessárias nesse processo. Não tem ideia do que o outro deseja. Nem está claro se a vaga é temporária, fixa ou mera cobertura de férias. Mesmo que queira muito agradar, não saberá como fazer. A situação está fora do seu controle.

Digo essas coisas porque já recusei e fui recusado. Já selecionei e fui selecionado. Sei como é.

Quando a pessoa escolhe outro, nos machuca. Mas a gente sabe, por também já ter preterido um monte de gente, que não houve uma gincana de qualidades. Não se trata de que a Fulana é mais bonita, ou mais desenvolta no sexo, ou mais divertida. É um problema de interação. O que funciona com um não funciona com outro. O que emociona um não emociona o outro. Aquilo que faz um rir, o outro não entende.

A gente tem com algumas pessoas momentos maravilhosos. Com outras a conversa é boa e os gostos se parecem. Há gente cujo jeito nos enternece. Ainda assim, não rola. A magia não acontece. E o processo seletivo continua. Por quê?

Beleza, personalidade e sucesso pessoal entram na balança, mas há coisas impossíveis de mensurar que aproximam ou afastam na mesma proporção. As coisas que nos apaixonam são da ordem do invisível.

Por que você fica mais à vontade com uma pessoa do que com outra?

Por que o sexo com alguém é mais intenso do que com outro alguém?

Por que uma personalidade nos atrai e outra nos deixa indiferente?

Por que uma beleza nos cativa mais que a outra beleza?

Por que os nossos sentimentos crescem na direção de um ser humano e não de outro?

Ninguém sabe responder a essas perguntas, mas todo mundo sabe quando está encantado por alguém. Nessas ocasiões, a atração vai além do sexo e das qualidades sociais. A química corporal se manifesta, mas não só. Há uma conexão subjetiva que se cria num caso e não se cria no outro. Inexplicavelmente.

Eu lembro, faz muito tempo, de estar envolvido com uma mulher que me fazia mal. Nos intervalos da conflagração que era o namoro com ela, eu tentava encontrar outras pessoas, mas falhava. Aparecia gente mais legal, mais atraente e mais sensual do que aquela que me fazia sofrer, mas o laço estava atado com ela. Foi preciso viver a situação para me libertar. Descobri que paixão e atração podiam ser forças negativas.

Há vagas que a gente nunca deveria aceitar – mas isso só se descobre depois. 

É bom ter em mente que o processo não é indolor para ninguém. Quem escolhe um parceiro no processo seletivo parece ter poder, mas está submetido a forças internas que não controla. Quem está sendo testado pode sentir-se humilhado, mas há prazer em sujeitar-se a quem nos emociona.

É arrogância achar que todos têm de nos escolher. É fútil sentir-se ofendido por não ser amado. É tolo acreditar que ao longo da vida ninguém vai nos colocar de joelhos. Faz parte do mundo amoroso a troca de posições de poder: nesta relação eu tenho o controle; naquela, o outro é quem dita o ritmo. Nas duas há música, para quem sabe dançar.

Por isso, eu recomendo paixão e paciência. Não é sensato apressar nossas escolhas. Não é saudável esperar ansiosamente que alguém nos aprove. Enquanto os processos seletivos se desenrolam, vivemos, simplesmente, em uma posição ou em outra. Às vezes, escolhemos. Em outra, seremos escolhidos ou preteridos. A vida segue, e nossa capacidade de amar e ser amado continua intacta. Ou assim deveria ser.

​Como a Polícia Federal prendeu uma rede de pornografia infantil na deep web

ESCRITO POR BRUNNO MARCHETTI
30 November 2016 

Na semana passada, mais de 300 agentes cumpriram 80 mandados judiciais pelo Brasil contra pessoas que armazenavam pornografia infantil em seus computadores. A ação fez parte da segunda fase da Operação Darknet, conduzida pela Polícia Federal, que identificou diversos usuários trocando conteúdos relativos a menores de idade na deep web. Ao todo, foram 15 prisões em flagrantes em 15 estados.

Dentro dos fóruns investigados, além do compartilhamento de imagens, também eram discutidas maneiras de burlar consultas pediátricas, isto é, como fazer com que os abusos não deixassem nenhuma marca no corpo das crianças e, assim, não fossem percebidos pelos médicos. As trocas e os diálogos se davam por meio da rede Tor, que promete navegação anônima e indetectável.

Como frisamos sempre por aqui, os endereços da deep web – também chamada de dark web quando usadas para fins fora-da-lei – são utilizados tanto por pessoas que precisam burlar a censura de governos como por criminosos que não querem que a polícia veja o que estão fazendo. Nos últimos anos, porém, com a prisão de muitos traficantes e redes de pedofilia, a rede Tor se provou não tão anônima assim. O FBI, a Scotland Yard, a Polícia Federal Australiana e outros órgãos internacionais aplicam diversas técnicas de investigação, de agentes infiltrados à aplicação de malwares rastreadores.


Proporção de usuários da rede Tor no mundo em 2014. Crédito: Universidade de Oxford

“Solicitamos a autorização judicial para que pudéssemos executar uma infiltração policial nesse ambiente da deep web e identificar quem eram essas pessoas”, comentou o delegado Fernando Casarin, responsável pela operação, ao Motherboard.

O tipo da ação realizada só foi possível uma vez que a Polícia Federal desenvolveu métodos próprios de rastrear e identificar o endereço de IP dos usuários que estão acessando a rede no momento. O delegado garante que a tecnologia empregada em quebrar o anonimato na rede Tor é totalmente nacional, embora não possa dar muitos detalhes sobre o método. “Revelar isto inviabilizaria a utilização desta ferramenta em investigações futuras”, explicou.

O desafio técnico para realizar este tipo de rastreamento reside no fato de que todo o tráfego da rede é encriptado e passa por vários roteadores antes de se conectar com o endereço final. A informação ao transitar pelos “nós” de rede é encriptada repetidamente, além dos pontos de conexão não saberem a fonte exata do tráfego.

"Na deep web a pessoa é identificada apenas por um apelido, então quando eu divulgo a prisão de alguém que ali atua, os outros usuários da rede não sabem que aquele membro foi preso"

Essa intrincada estrutura garante alto nível de anonimato ao usuário que a acessa. Segundo o delegado, apenas algumas poucas forças policiais do mundo foram capazes de expor usuários da deep web. Um dos exemplos de ação mais recente foi a desarticulação do Playpen, um dos maiores fóruns de compartilhamento pornografia infantil, fechado pelo FBI no final de 2015. Na época a técnica utilizada foi infectar o computador dos usuários por meio de um malware que possibilitava identificá-los. O golpe final foi dado quando o administrador do fórum cometeu um erro básico na configuração do fórum, o que permitiu rastrear sua localização.

Outro fator presente neste tipo de investigação, conforme explicou Casarin, é que no ambiente da deep web os usuários, na maioria dos casos, não se conhecem entre si. Apesar de isso dificultar a identificação de grupos articulados, possibilita um trabalho mais aberto por parte da polícia. “Na deep web a pessoa é identificada apenas por um apelido, então quando eu divulgo a prisão de alguém que ali atua, os outros usuários da rede não sabem que aquele membro foi preso, eles não o conhecem fora daquele ambiente ou seu nome real.”

Embora a comunicação nos canais que foram investigados pela operação seja em sua maioria feita em português, nosso idioma representa apenas uma pequena parcela do conteúdo nestas redes. Segundo levantamento realizado pela empresa de segurança Trend Micro, o inglês é o principal idioma utilizado na deep web: representa 62% do conteúdo encontrado. O segundo idioma mais falado é o russo, com cerca de 7%. O português aparece em sétimo lugar, representando menos de 2% da comunicação realizada. O estudo também aponta que cerca de um quarto do conteúdo da deep web considerado “suspeito” possui algum tipo de envolvimento com abuso infantil.


Funcionamento da rede Tor. Crédito: Fercufer

Os primeiros passos das investigações da PF na deep web, diz o delegado, aconteceram em 2012. “Ela se desdobrou a partir de outras investigações contra o crime de pedofilia”, falou. As operações que serviram como base, disse, foram “Caverna do Dragão”, de 2011, e “DirtyNet”, de 2012. Ambas identificaram 100 criminosos no Brasil e no exterior.

Os resultados da atual operação, a "Darknet", começaram a ser divulgados em outubro de 2014. Na época, a operação fez suas primeiras prisões e seis crianças foram resgatadas de situações de risco iminente em que o abusador teria acesso a elas ou de abuso propriamente dito. O caso que mais chamou atenção na primeira fase foi o de um pai que declarou em fóruns da deep web que iria abusar de sua filha ainda não nascida. “No momento da prisão ele admitiu que realmente cometeria o crime”, explicou o delegado em coletiva de imprensa realizada na época. "Disse que achava bom o fato de estar indo preso para não realizar a ação."

Para Casarin, apesar do grande número de mandados judiciais em ambas as fases da operação, os criminosos envolvidos que não foram presos não são desencorajados por muito tempo. “Em um primeiro momento, logo após deflagrarmos as operações, existe um recolhimento por parte dos membros dessas plataformas, mas dura poucos meses”, explicou o delegado. “Inclusive algumas das pessoas que prendemos são reincidentes."

Os criminosos identificados pela operação podem ser condenados a até oito anos de reclusão.

VICE

O casamento homoafetivo pelo mundo



Guilherme Prado e Catarina Pignato 03 Nov 2016

Apesar do número crescente de governos que reconhecem a união homoafetiva, ter relações homossexuais ainda é considerado crime em 73 países e em alguns há até pena de morte

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Decisão do STF encara a realidade sobre o aborto

por Debora Diniz — publicado 30/11/2016
De maneira corajosa, a corte enfrentou o que estava por trás de uma clínica clandestina em uma área pobre do Rio de Janeiro

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, foi claro: criminalizar o aborto é uma violação dos direitos fundamentais das mulheres. Não foram poucos os direitos listados por ele: saúde, integridade, igualdade e segurança.
Ao proibir uma mulher de decidir sobre o aborto, o Estado brasileiro viola de maneira cruel os direitos de grupos mais vulneráveis de mulheres: as negras e indígenas, as pobres ou nordestinas.
Barroso qualificou esse efeito perverso da lei criminal como discriminação às mulheres pobres, para quem o aborto clandestino é prática de muito risco e sofrimento.
A decisão, tomada na terça-feira 29, foi inesperada por uma razão simples. O caso não era de uma mulher concreta reclamando o direito ao aborto ou a não ser presa por o ter realizado; ou uma ação constitucional, como será a do dia 7 de dezembro sobre as consequências da epidemia do vírus zika entre meninas e mulheres no Brasil.
Em 2014, Ministro Marco Aurélio Mello recebeu uma ação penal contra cinco pessoas que trabalhavam em uma clínica de aborto em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A discussão era se cabia ou não prisão preventiva para os acusados de realizar aborto ilegalmente.
A resposta de Marco Aurélio foi uma liminar contrária à prisão preventiva: não havia risco à ordem pública ou à investigação. Barroso pediu vistas ao caso e fez um retorno argumentativo original.
Além de seguir o voto de Marco Aurélio, Barroso avançou na discussão que importa à Suprema Corte: enfrentou o que estava escondido por trás de uma clínica clandestina de aborto em zonas pobres do Rio de Janeiro.
Aquele não poderia ser apenas um caso de habeas corpus sobre prender ou não preventivamente pessoas acusadas de um crime. A pergunta correta seria outra: por que haveria crime neste caso?
Com um giro original, honesto e corajoso, Barroso deu a resposta: aborto não pode ser crime, segundo a Constituição Federal, pois viola direitos fundamentais das mulheres. Ou seja, além de não caber prisão preventiva aos acusados, o aborto deveria ser descriminalizado nas 12 primeiras semanas de gestação.
Para o voto, Barroso usou dados epidemiológicos e legislações de outros países. O aborto é legalizado ou descriminalizado em grande parte dos países democráticos, entendidos lá como um direito à intimidade e uma proteção à saúde.
Se realizado em condições seguras, não há risco na interrupção de uma gestação. Se há impacto à saúde das mulheres pelo aborto, os riscos estão na ilegalidade e clandestinidade da prática. É o cenário de crime que adoece as mulheres: elas temem ser presas, se arriscam com métodos que desconhecem a segurança, silenciam sobre suas histórias.
Para se ter uma ideia da magnitude do aborto no Brasil, uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já fez, pelo menos, um aborto. São milhões de mulheres que, em algum momento da vida, experimentaram a angústia de atravessar a fronteira da legalidade.
Barroso falou delas ontem. Não havia uma mulher para lhe oferecer o rosto e a biografia, mas todas nós, mulheres comuns, conhecemos histórias de muitas mulheres que fizeram aborto.
Elas usaram medicamentos, chás ou ervas, algumas se arriscaram em clínicas como a de Duque de Caxias. Algumas morreram e é nosso dever contar suas histórias como histórias de graves violações do Estado brasileiro contra as mulheres. Elas morreram em situação de intenso sofrimento, comparável às práticas tortura.
Infelizmente, a resposta madrugadeira da Câmara dos Deputados foi alegar ímpeto legislativo na Suprema Corte e mover-se para propostas de maior criminalização.
Não houve nada de ativismo judicial no voto de Barroso: aborto é uma questão constitucional e é dever da corte enfrentá-la à luz dos direitos fundamentais.

Carta Capital

Mulheres trabalham cinco horas a mais e ganham 76% do salário dos homens

02/12/2016
Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

O crescimento econômico do Brasil na última década não se refletiu em mais igualdade no mercado de trabalho. Com ou sem crise, as mulheres brasileiras continuam trabalhando mais – cinco horas a mais, em média – e recebendo menos.

A renda das mulheres equivale a 76% da renda dos homens e elas continuam sem as mesmas oportunidades de assumir cargos de chefia ou direção. A dupla jornada também segue afastando muitas mulheres do mercado de trabalho, apesar de elas serem responsáveis pelo sustento de quatro em cada dez casas.

As contatações são da Síntese de Indicadores Sociais - Uma análise das condições de vida da população brasileira, divulgada hoje (2), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa estudou os indicadores entre os anos de 2005 e 2015.

As mulheres tendem a receber menos que os homens porque trabalham seis horas a menos por semana em sua ocupação remunerada. Porém, como dedicam duas vezes mais tempo que eles às atividades domésticas, trabalham, no total, cinco horas a mais que eles. Ao todo, a jornada das mulheres é de 55,1 horas por semana, contra 50,5 horas deles.

De acordo com a pesquisadora do IBGE Cristiane Soares, os homens continuam se esquivando de tarefas da casa, o que se reflete em mais horas na conta delas. "Na década, a jornada masculina com os afazeres domésticos permanece em 10 horas semanais", destacou.

Mesmo trabalhando mais horas, as mulheres têm renda menor, de 76% da remuneração dos homens. Esse número era de 71% em 2005 e reflete o fato de mulheres ganharem menos no emprego e também por não serem escolhidas para cargos de chefia e direção. Dos homens com mais de 25 anos, 6,2% ocupavam essas posições, contra 4,7% das mulheres com a mesma idade. Porém, mesmo nesses cargos, fazendo a mesma coisa, o salário delas era 68% do deles.

Apesar deste cenário, a pesquisa mostra que cresce o número de mulheres chefes de família. Considerando todos os arranjos familiares, elas são a pessoa de referência de 40% das casas. Entre aqueles arranjos formados por casais com filhos, uma em cada quatro casas é sustentada por mulheres. O percentual de homens morando sozinho com filhos é mínimo.

Nem trabalham, nem estudam

Acompanhando a tendência mundial, as mulheres jovens entre 15 e 29 também estão em desvantagem em relação aos homens da mesma idade. No Brasil, boa parte delas interrompe os estudos e para de trabalhar para cuidar da casa. Entre o total de mulheres, 21,1% não trabalha nem estuda, contra 7,8% dos homens.

Em uma década, a situação dos jovens chamados de nem-nem mudou pouco. Em 2005, 20,2% das mulheres estavam nesta situação e 5,4% dos meninos. De acordo com a pesquisa, a hipótese mais provável é que essas meninas estejam cuidando de filhos ou da casa. Em média, 91,6% delas contaram que dedicam 26,3 horas semanais a afazeres domésticos. Já entre os meninos, 26,3% dos nem-nem que responderam cuidar da casa dedicam 10,3 horas semanais à atividade.

A especialista do IBGE no tema, Luana Botelho, destaca que a situação não se alterou na década, mesmo quando a situação econômica do país era mais favorável, em 2005."Podemos olhar a série histórica que a situação não se altera com a economia. O fato de ter mais ou menos emprego não vai fazer essa mulher deixar de ser nem-nem", disse. Para ela, são necessárias medidas específicas para permitir que as jovens diminuam a dedicação às tarefas domésticas e voltem a trabalhar.

No total, cerca de 70% das mulheres brasileiras estão fora do mercado de trabalho. A maioria tem 50 anos ou mais e não tem instrução ou só completou o ensino fundamental.

* Colaborou Tâmara Freire, repórter do Radiojornalismo da EBC