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domingo, 23 de abril de 2017

Maior aproximação familiar e prática de esportes ajudam a afastar jovens do jogo ‘Baleia Azul’, afirmam psicólogas

Por Maurício Targino
22/04/2017
Dos inúmeros desejos que habitam a mente dos adolescentes, dois poderiam ser destacados: o de pertencimento a um grupo e o de autoafirmação através da superação de limites. Às vezes, porém, a combinação de ambos gera resultados nada positivos. Um exemplo recente é o crescente interesse pelo jogo Baleia Azul, apontado como responsável por várias tentativas de suicídio – algumas consumadas – em diversos países, inclusive no Brasil.
karen rech braun
A psicóloga Karen Rech Braun recomenda mais abertura na relação entre pais e filhos (arquivo pessoal)
“A adolescência é um período no qual o senso de causa e consequência ainda está em construção”, explica a psicóloga Karen Rech Braun. “Por isso nem todos medem o impacto de participar desse desafio”.
O jogo, surgido na Rússia em 2015, propõe 50 tarefas que vão de assistir a filmes de terror na madrugada, passa por automutilações e se colocar em situações de risco e termina por tirar a própria vida. Os “curadores” abordam e passam as tarefas através de grupos secretos nas redes sociais e também por WhatsApp.
“O adolescente que mergulha nisso é, em geral, alguém que já vem com um sofrimento psíquico intenso, com uma sensação de solidão e desamparo muito tristes e graves”, afirma a psicóloga Anna Carolina Scheuer. “E coisas como Baleia Azul proporcionam a falsa sensação de ter encontrado companhia para uma dor tão profunda e uma suposta solução, o que é um equívoco perigosíssimo”, completa.
Há sinais que podem indicar uma certa propensão a participar do jogo?
“Mudanças repentinas de comportamento, abandono de atividades que antes gostava, isolamento, interesse súbito por morte ou violência podem ser vistos como sinais de alerta”, diz Karen, que é especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. “Se os pais, os amigos, e a escola prestarem atenção de verdade, perceberam esses sinais de maneira relativamente evidente”, prossegue Anna Carolina, mestre em psicologia clínica e que tem vários adolescentes entre seus pacientes.
carolina scheuer materia
Anna Carolina Scheuer diz que pais e filhos devem se aproximar naturalmente, não “por decreto” (Arquivo pessoal)
Karen também chama a atenção para a importância do diálogo. “Os filhos devem se sentir à vontade para dividir com os pais tanto coisas cotidianas como medos e dúvidas sobre os desafios da adolescência”, afirma. “A escola também deve incentivar uma relação de confiança entre alunos e professores”.
Mas essa relação não deve ser cobrada, e sim construída. “Pouco vai se conseguir por decreto, exigindo interação, reclamando do isolamento, etc”, diz Anna. “É preciso encontrar campos prazerosos de contato, descobrir programas para fazer juntos, se interessar genuinamente pelo universo do adolescente”, complementa.
Caso os sinais de automutilação sejam percebidos, a ajuda psicológica ou psiquiátrica, que já era importante, se torna imprescindível. “É muito provável que o adolescente neste nível de depressão e sofrimento resista em aceitar ajuda”, diz Anna. “Mas é fundamental que pais ou responsáveis busquem auxílio destes profissionais para fazer com que esse jovem aceite ser ajudado”.
O esporte como ferramenta de inclusão e desafio saudável
Os adolescentes de hoje cresceram imersos na era digital, com as redes sociais exercendo um papel crucial em suas vidas. Ou seja, não é por passar muito tempo na internet que todos estariam propensos a entrar para o Baleia Azul. No entanto, equilibrar a vida online com outras atividades, como a prática de esportes, ajuda a evitar comportamentos depressivos.
“O esporte faz com que o jovem se ocupe com algo não relacionado à tecnologia”, diz Karen. “Além dos benefícios para o corpo, ele também promove a socialização e o engajamento em uma atividade positiva e saudável”, completa.
Anna tem opinião semelhante. “Qualquer atividade coletiva que dê ao adolescente a sensação de pertencimento a um grupo e a possibilidade de compartilhar bons momentos é fundamental para aliviar as tensões psíquicas e oferecer perspectivas de vida mais interessantes”.

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